Taizé: um lugar que chama interiormente

Lo último del obispo

Foto: DR.

Taizé.


No início de agosto, jovens de Constância e Portalegre uniram-se numa peregrinação até Taizé, em França, para viver dias de oração, partilha, voluntariado e fraternidade, juntamente com milhares de jovens de todo o mundo.

Taizé é uma aldeia, na região da Borgonha, a cerca de 100 km a norte de Lyon, onde vive uma comunidade monástica masculina e ecuménica que acolhe, ao longo de todo o ano, particularmente durante o verão, jovens e menos jovens para uma experiência de comunidade, fraternidade, oração, voluntariado, partilha de vida e de fé. É uma comunidade que tem no seu centro Jesus Cristo e que procura ser, através da vida dos seus irmãos e da experiência que proporciona, um sinal de reconciliação e unidade entre os cristãos.

 

É um lugar muito especial. Uma aldeia serena, no alto de uma grande colina, rodeada de grandes paisagens verdes e bonitos jardins, no meio da floresta. Em muitos destes lugares, o silêncio e a paz que se fazem sentir quase fazem parar o tempo. Há qualquer coisa em Taizé que convida a parar, a escutar e, talvez sobretudo, a olhar para dentro.

 

Sentimos ser importante proporcionar aos jovens experiências fortes de Igreja e ajudá-los a vivê-las. Neste sentido, existe a preocupação de os acompanhar na descoberta e no aprofundamento da fé, proporcionando-lhes momentos que possam corresponder à fase da vida em que se encontram. Taizé, noutros anos, tem sido um desses encontros, um desses desafios.

 

E por isso, à semelhança de outros anos, tornámos a subir a colina de Taizé para viver, com os irmãos de Taizé e com jovens de vários lugares do mundo, uma semana de oração, diálogo e partilha, voluntariado e festa. Este ano, com uma particularidade muito bonita: pudemos partilhar esta peregrinação e esta semana com jovens de diferentes pontos da nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco…, de Constância, passando por Portalegre, até Castelo Branco. Seguimos juntos, de autocarro, até Taizé.

 

A chegada a Taizé é sempre bastante desafiante. Este ano não foi diferente. O domingo, à hora do almoço, é sempre aquele momento que nos põe em choque: há jovens por todo o lado, malas por todo o lado, gente a tentar encontrar-se no meio da confusão das entradas e das saídas. Na “nossa” semana éramos cerca de 4000 pessoas. É fácil imaginar a confusão.

 

E depois há toda a agitação da tarde. Em cima do cansaço da viagem e do choque inicial, há um encontro de acolhimento onde são dadas aos jovens as indicações sobre o lugar onde vão dormir, as senhas das refeições da semana, os trabalhos de voluntariado e o local onde se irão reunir durante os dias seguintes. É muita informação e muita confusão para quem chegou há poucas horas e apenas quer tomar um banho, estender o saco-cama e descansar um pouco.

 

O dia 0 foi mesmo o mais desafiante. Depois, pouco a pouco, começou a acontecer Taizé. Os dias foram-se fazendo na procura de compreender o que Deus tinha reservado para cada um. E reservou coisas muito bonitas.

 

Houve os momentos bíblicos e as partilhas em grupo; os momentos a sós no Jardim do Silêncio; o trabalho no coro, na cozinha e nas filas de distribuição da comida; os três momentos de oração por dia; os workshops; o convívio no Oyak; e também aqueles momentos simples de refeição, de descanso ou passeio, em que juntos conversávamos e partilhávamos aquilo que estava a fazer sentido.

 

Mas, acima de tudo, houve a oração. As orações da noite eram sempre muito especiais e profundas. O silêncio, os cânticos, a Palavra de Deus e a presença de tantos jovens reunidos em oração criavam um ambiente difícil de explicar por palavras. A vivência do mistério pascal de Jesus ajudou-nos a entrar numa maior intimidade com Ele, a entrar mais profundamente em nós mesmos e a reconhecer, talvez de uma forma nova, uma certeza tão simples quanto essencial: não estamos sós e Deus ama-nos muito. A oração da Cruz, na Sexta-feira, a oração das velas, no sábado, e a oportunidade de nos reconciliarmos são sempre momentos muitos intensos numa semana em Taizé.

 

O regresso às nossas casas foi acompanhado por alguma inquietação. Os dias estavam a ser muito especiais e foi estranho pensar que aquela experiência tinha de terminar. Mas não podíamos ficar para sempre em Taizé. E talvez essa seja também uma parte importante da experiência. Partir!

 

Não fomos a Taizé para ficar em Taizé. Fomos para viver uma experiência com Deus, com os outros e connosco próprios, e para depois regressar às nossas comunidades e à nossa vida. Por isso, trouxemos um pouco de Taizé connosco: para as nossas casas, para as nossas famílias, para os nossos amigos e para aqueles que amamos.

 

A experiência com Deus não se fecha em Taizé. Continua nas nossas vidas, nas nossas comunidades, nas nossas relações e nas escolhas que fazemos todos os dias. A colina fica para trás, mas aquilo que Deus nos permitiu viver pode continuar connosco. E a colina… muitos certamente irão regressar. Muitos dos que fomos este ano já regressaram noutros anos! Desta vez não será diferente.

 

Talvez seja esse o verdadeiro desafio de Taizé: depois de subir a colina, descobrir como continuar a caminhar quando voltamos para casa, compreender como se responde com a vida aos muitos desafios de Deus dentro e fora da Igreja.

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