Peregrinao Diocesana a Ftima

D. Antonino Dias presidiu Peregrinao Diocesana a Ftima no dia 29 de Maio de 2011.

 

PEREGRINAÇÃO A FÁTIMA
29 de Maio de 2011
 
A actividade missionária de Filipe na Samaria foi o primeiro passo para que o Evangelho ultrapassasse as fronteiras judaicas e se abrisse à universalidade dos povos. Este abrir-se ao mundo, porém, acontecia em comunhão e unidade com a Igreja mãe de Jerusalém. Assim, logo no princípio, vemos que os Apóstolos estão presentes, impõem as mãos e manifestam a sua concordância a tudo quanto acontece pela presença e acção do Espírito[1]. Começa a perceber-se que o Evangelho tem como destinatário “todas as nações” (Lc 24,27), “todos os lugares” (Lc 10,1), todos os corações[2], cada ser humano, seja ele quem for. Mesmo quando se afastam, é “por Jesus que todos esperam”. “Sem Deus, o ser humano não sabe para onde ir e não consegue sequer compreender quem seja”[3]. O vazio espiritual gera sofrimento.
Mas o Senhor não se impõe, propõe-se, oferece-se: “Eu estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo” (Ap 3, 20).
Nos princípios da Igreja os tempos não eram fáceis para os discípulos de Cristo. Hoje, infelizmente, também não são em muitos lugares da terra: “a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos” (CV19). S. Pedro enaltece aqueles que são perseguidos por terem feito o bem. E apela a que todos estejam prontos para responder, com convicção e coragem, a quem quer que seja, sobre a razão da sua esperança. Mas com amor. Responder à violência com amor não é tomar posição passiva ou sofrer porque se gosta de sofrer (ser masoquista). O cristão sabe quais os motivos da sua fé e as razões da sua esperança. Sabe que participa na obra redentora de Cristo e se torna um sinal vivo da esperança que o anima[4]. A própria argumentação que usar deve ser apresentada com brandura e respeito – diz o Apóstolo -, mantendo a serenidade e a boa consciência, para que os inimigos de Cristo sejam confundidos com o bom procedimento dos cristãos. É preferível “padecer por fazer o bem, se for essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal”.
Foi isso o que fizeram os cristãos da primeira hora. Testemunhando com alegria a sua fé em Jesus Cristo, vivendo na simplicidade e na caridade uns para com os outros, geravam simpatia, a sua vida era convincente e, por isso, o número de cristãos aumentava todos os dias (Act 2,42-47).
Quando os discípulos de Jesus começaram a deixar transparecer uma certa tristeza pelo facto de Cristo dizer que ia para o Pai, Jesus dá-lhes uma garantia, promete-lhes um Advogado. O advogado é prometido aos discípulos, àqueles que amam Jesus, àqueles que cumprem os seus mandamentos em obediência filial e amor sincero. O Advogado prometido é o Espírito da verdade, aquele que conhece a verdade e a verdade é Jesus. É o continuador da obra de Cristo, o protagonista da missão confiada à Igreja, o nosso impulsionador e companheiro nessa mesma missão. É o Espírito Santo, o garante de que as palavras de Jesus não serão esquecidas nem adulteradas e serão compreendidas pelos seus amigos. E os seus amigos, porque acreditam n’Ele, não devem estar tristes, pois continuarão a vê-l’O e a gozar da Sua presença. É a visão da fé. A visão que dá vida. Vida que brota da morte e da ressurreição de Jesus. “Felizes os que acreditam sem terem visto” (Jo 20, 29).
Mas voltemos à primeira leitura. Filipe, fortalecido pelo Espírito e perseguido, sai para a Samaria e anuncia o Evangelho, a feliz notícia da Ressurreição de Jesus.
Bento XVI recorda-nos que “os primeiros cristãos consideravam que o anúncio missionário era uma necessidade derivada da própria natureza da fé: o Deus em quem acreditavam era o Deus de todos, o Deus único e verdadeiro que se manifestara na história de Israel e, por fim, no seu Filho, oferecendo assim a resposta que todos os seres humanos, no seu íntimo, aguardavam. As primeiras comunidade cristãs sentiram que a sua fé não pertencia a um costume cultural particular que diverge de povo para povo, mas ao âmbito da verdade, que diz respeito igualmente a todas as pessoas” (VD 92). “Nenhuma pessoa que crê em Cristo pode sentir-se alheia a esta responsabilidade que deriva do facto de pertencer sacramentalmente ao Corpo de Cristo” (VD 94). Para assumir esta responsabilidade da evangelização, é necessário acreditar “que a Palavra de Deus é a verdade salvífica da qual cada homem precisa em todos os tempos”. “Se esta convicção de fé não estiver profundamente radicada na nossa vida, não poderemos sentir a paixão e a beleza de a anunciar”[5]. E facilmente poderemos ceder “à tentação de reduzir a evangelização a um projecto unicamente humano, social, escondendo ou silenciando a dimensão transcendente da salvação oferecida por Deus em Jesus Cristo”[6]. E, “ai de mim se não evangelizar”, dizia S. Paulo. A evangelização continua a ser o primeiro serviço da Igreja à humanidade. É a sua razão de ser, a sua vocação e identidade. E se a Evangelização “implica movimento e comunicação e quer tempo, formação, inteligência, entranhas, mãos e coração”[7], também reclama a centralidade do anúncio em Jesus Cristo, o “enviado do Pai”, “o primeiro e o maior dos evangelizadores” (EN7) a quem “todos elogiavam” e todos “se admiravam das palavras cheias de graça que saíam da sua boca” (Lc 4,22), porque nunca “alguém falou como este homem” (Jo 7,46), “verdadeiramente (…) era o Filho de Deus”! (Mc 15, 39). “As suas palavras desvendavam o segredo de Deus, o seu desígnio e a Sua promessa, e modificavam por isso o coração dos homens e o seu destino” (EN11). Dizia-nos a primeira leitura que “Filipe desceu a uma cidade da Samaria e começou a pregar o Messias àquela gente. As multidões aderiam unanimemente às palavras de Filipe”. Ora, foi de Jesus que Filipe falou. Falou do Messias e as pessoas aderiram. Falou de Jesus. De pouco nos servirá reformar estruturas, inventar métodos e pedagogias, deitar mão de técnicas sofisticadas e afins como que se a Evangelização somente disso dependesse. Também depende disso, é verdade, e muito. Mas depende sobretudo da conversão da nossa vida, da radicalidade do nosso seguimento, da centralidade do anúncio em Jesus Cristo, da beleza e encanto com que falamos da Sua Pessoa e da Sua Mensagem. É Ele o centro do cosmos e da história, o Filho de Deus, o Salvador do mundo. Aquele que a todos quer atrair para Si (Jo 12, 32) e que nós temos de apresentar e não esconder ou secundarizar.
Para além da XXVIII Peregrinação anual da Diocese de Portalegre-Castelo Branco com as suas inquietações, alegrias e esperanças e de outros grupos de peregrinos de várias procedências - como ouvimos no início desta celebração -, também temos entre nós, na sua IX Peregrinação Nacional a Federação do Folclore Português. “Que alegria quando me disseram vamos para a casa do Senhor”! (Sl 122), cantavam os peregrinos às portas da cidade santa de Jerusalém. “Que alegria quando me disseram vamos para a casa do Senhor”, cantamos nós, hoje e aqui, ao celebrarmos juntos, neste Santuário, a fé que nos anima. O Santuário “é um sinal da presença activa e salvífica do Senhor na história, é um lugar de paragem onde o povo de Deus, peregrinando pelos caminhos do mundo em direcção à cidade futura (cf. Hb 13, 14), se revigora para prosseguir a caminhada”[8]. Aqui, o silêncio torna-se fecundo. A Palavra de Deus ecoa no coração de cada um, e cada um contempla o dom de Deus, dá graças, com Maria, pelas maravilhas que o Senhor operou e opera em cada um de nós e no mundo. Aqui, sente-se o desejo sincero de pedir perdão pelos pecados cometidos, de implorar o dom da fidelidade a Cristo e à missão evangelizadora. Aqui se renovam os compromissos assumidos ao longo da vida e nasce a vontade de regressar a casa por outro caminho, o caminho da conversão, “denunciando a miopia das realizações humanas que se querem impor como absolutas e anunciando o Reino de Deus que nos exige viver, desde já, como fermento crítico e profético rejeitando as instrumentalizações de qualquer tipo, para ser presença estimulante ao serviço da construção do homem todo em cada homem, segundo a vontade do Senhor[9].
Neste mês de Maio, com a oração do Anjo em mente que nos leva a mergulhar no mistério da Santíssima Trindade, também fomos convidados por este Santuário a unir-nos ao Coração Imaculado de Maria, para oferecer a nossa vida, tomar consciência dos nossos pecados e dos do mundo, para pedir perdão por eles e aprendermos com Maria a ser discípulos de Jesus, a seguir seus ensinamentos, a crescer na vida evangélica,[10] a ir por todo o mundo e a anunciar a todas as pessoas. A ir e anunciar que Deus nos ama e nos quer solidários e comprometidos com aquela caridade na verdade que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição (CV1).
Longe de Deus, o homem vive inquieto e sente-se mal (cf. CV76).
Que Maria santíssima nos estimule com o seu exemplo e nos ajude a percorrer os caminhos da verdade e do bem nestes tempos agitados e difíceis mas cheios de desafios e de esperança.   
  
Antonino Dias
Bispo de Portalegre-Castelo Branco
 
 

[1]Comentários à Bíblia Litúrgica, Gráfica de Coimbra,2; Act 8,5-8.14.17; IPed 3,15-18; Jo 14, 15-21.
[2]Bento XVI, no Porto, 14/5/2010.
[3]Bento XVI, Carta Encíclica Caritas in Veritate, 78 (CV).
[4] Comentários às leituras do VI Domingo da Páscoa do Missal Popular
[5]Bento XVI na Assembleia do Conselho Superior das Pontifícias Obras Missionárias, L’O. R.21,5,2011.
[6]Ibidem.
[7]CEP, Carta Pastoral, Como Eu vos fizm fazei vós também - um rosto missionário da Igreja em Portugal, 2010, 3.
[8]Congregação Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, Directório sobre a piedade popular e a liturgia, 262.
[9]cf. Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes: O Santuário – Memória, presença e profecia do Deus vivo, 1999
[10]Itinerário temático do Santuário, 2010-2011.

 

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