TODOS TINHAM MEDO DELE

Portalegre, 26 de Janeiro de 2018

"Saulo, Saulo, por que Me persegues?" Saulo perguntou: "Quem s tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Agora Levante-te, entra na cidade, e a te diro o que deves fazer".

Um jovem de 28 anos de idade, judeu da diáspora nascido na Cilícia, atual Turquia, era um jovem generoso e duro na exigência, com poder e prestígio. Tinha sido formado nas melhores escolas do seu tempo e era zeloso cumpridor da Lei e das tradições paternas. Fiel à sua formação, procurava realizar o ideal da religião dos seus antepassados. Por isso, tal como hoje acontece em muitas partes do mundo, também ele ameaçava de morte e perseguia os cristãos. Fazia-o com tal ideal de observância que se apresentou ao sumo-sacerdote para lhe pedir cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco. Procurava prender e levar para Jerusalém todos os homens e mulheres que encontrasse a seguir o Senhor. Porque terminámos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos no dia em que o Senhor se fez encontrado na vida deste jovem quando ia a caminho de Damasco, recordemos esse momento de graça, o da conversão de São Paulo:

“Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo viu-se repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu. Caiu por terra e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que Me persegues?" Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a Quem tu persegues. Agora Levante-te, entra na cidade, e aí te dirão o que deves fazer”. Os homens que acompanhavam Saulo ficaram cheios de espanto, porque ouviam a voz mas não viam ninguém. Saulo levantou-se do chão e abriu os olhos, mas não conseguia ver nada. Então levaram-no pela mão para Damasco. E Paulo ficou três dias sem poder ver, e não comeu nem bebeu nada. Em Damasco havia um discípulo chamado Ananias. O Senhor chamou-o numa visão: "Ananias!" E Ananias respondeu: "Aqui estou, Senhor". E o Senhor disse: "Prepara-te e vai até à rua que se chama rua Direita e procura, na casa de Judas, um homem chamado Saulo, apelidado Saulo de Tarso. Ele está a rezar e acaba de ter uma visão”. De facto, ele viu um homem chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para que recuperasse a vista. Ananias respondeu: “Senhor, já ouvi muita gente falar desse homem e do mal que ele fez aos Teus fiéis em Jerusalém. E aqui em Damasco ele tem plenos poderes, que recebeu dos sumos-sacerdotes, para prender todos os que invocam o Teu nome”. Mas o Senhor disse a Ananias: “Vai, porque esse homem é um instrumento que escolhi para anunciar o Meu nome aos pagãos, aos reis e ao povo de Israel. Eu vou mostrar a Saulo quanto ele deve sofrer por causa do Meu nome”. Então Ananias saiu, entrou na casa e impôs as mãos sobre Saulo, dizendo: “Saulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu quando vinhas pelo caminho, mandou-me aqui para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo”. Imediatamente caiu dos olhos de Saulo alguma coisa parecida com escamas, e ele recuperou a vista. Em seguida, Saulo levantou-se e foi batizado. Logo depois comeu e ficou forte como antes. Saulo passou então alguns dias com os discípulos em Damasco. E logo começou a pregar nas sinagogas, afirmando que Jesus é o Filho de Deus. Os ouvintes ficavam impressionados e comentavam: “Não é este o homem que descarregava em Jerusalém a sua fúria contra os que invocam o nome de Jesus? E não é ele que veio aqui expressamente para os prender e levar aos sumos-sacerdotes?”. No entanto, Saulo fortalecia-se cada vez mais e deixava confusos os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Messias. 

Passado algum tempo, os judeus combinaram armar uma cilada para matar Saulo, mas os seus planos chegaram ao conhecimento de Saulo. Os judeus montavam guarda dia e noite também junto às portas da cidade, a fim de o eliminarem. Os discípulos dele, porém, tomaram-no de noite e fizeram-no descer pela muralha, dentro de um cesto. Saulo chegou a Jerusalém e procurava juntar-se aos discípulos. Mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que ele fosse discípulo. Então Barnabé tomou Saulo consigo, apresentou-o aos Apóstolos, e contou-lhes como Saulo no caminho tinha visto o Senhor, como o Senhor lhe havia falado, e como ele havia pregado corajosamente em nome de Jesus na cidade de Damasco. 

Daí em diante Saulo ficou em Jerusalém com eles e pregava corajosamente em nome do Senhor. Saulo também falava e discutia com os judeus de língua grega, mas eles procuravam um modo de o matar. Quando souberam disto, os irmãos levaram Saulo para a cidade de Cesareia, e dali mandaram-no para Tarso” (At 9, 1-30). 

A vida de São Paulo, de facto, não foi vivida em busca do prestígio pessoal, não foi um mar de rosas. De perseguidor dos cristãos por todos temido, tornou-se ferozmente perseguido por amor a Cristo e aos cristãos. Teve uma vida de sacrifício e de trabalho intenso no meio de sofrimento e preocupações por causa de Cristo, do Seu Evangelho, do Seu projeto que abraçou com convicção, entusiasmo e paixão contagiante. E se outros se consideravam ministros de Cristo, também ele tinha razões para se considerar muito mais do que eles: “muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, imensamente mais pelos açoites, muitas vezes em perigo de morte. Cinco vezes recebi dos Judeus os quarenta açoites menos um. Três vezes fui flagelado com vergastadas, uma vez apedrejado, três vezes naufraguei, e passei uma noite e um dia no alto mar. Viagens a pé sem conta, perigos nos rios, perigos de salteadores, perigos da parte dos meus irmãos de raça, perigos da parte dos pagãos, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos da parte dos falsos irmãos! Trabalhos e duras fadigas, muitas noites sem dormir, fome e sede, frequentes jejuns, frio e sem agasalho!” (2Cor 11, 16-28).

Por isso mesmo, no fim da vida, de consciência tranquila, São Paulo confessava: “Combatei o bom combate, terminei a minha carreira, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justificação que o Senhor, justo Juiz, me entregará naquele Dia; e não somente a mim, mas a todos os que tiverem esperado com amor a sua manifestação” (2Tim 4, 6-8).

Combater o bom combate, anunciar o Evangelho, conservar, defender e promover a fé em Cristo, com alegria e esperança, é a missão de todos os batizados.

Antonino Dias, Bispo
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