O NOSSO DOMINGO DA PALAVRA - O DA ALEGRIA

Nesta nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco, depois de termos ouvido os rgos de corresponsabilidade e participao, determinmos e anuncimos na abertura do ano pastoral, por mera coincidncia dia litrgico de So Jernimo, Padroeiro dos estudiosos da Bblia, que o Domingo da Palavra fosse, em cada ano, o terceiro Domingo do Advento, o Domingo da alegria.

 

Domingos da Palavra são todos. Não há celebração de Domingo sem a Palavra. No entanto, no termo do ano jubilar da Misericórdia, o Papa Francisco afirmou ser “conveniente que cada comunidade pudesse, num domingo do ano litúrgico, renovar o compromisso em prol da difusão, do conhecimento e do aprofundamento da Sagrada Escritura: um domingo dedicado inteiramente à Palavra de Deus, para compreender a riqueza inesgotável que provém daquele diálogo constante de Deus com o seu povo” (M et M 7). Nesta nossa Diocese de Portalegre-Castelo Branco, depois de termos ouvido os órgãos de corresponsabilidade e participação, determinámos e anunciámos na abertura do ano pastoral, por mera coincidência dia litúrgico de São Jerónimo, Padroeiro dos estudiosos da Bíblia, que o Domingo da Palavra fosse, em cada ano, o terceiro Domingo do Advento, o Domingo da alegria. Pedimos que a iniciativa fosse anunciada e preparada com antecedência para merecer o empenhamento de toda a comunidade. E foi-se lançando o desafio de, inclusive, na semana antes ou depois, se promoverem cursos ou momentos de formação bíblica ou outras iniciativas que ajudassem a formar e a fazer da Sagrada Escritura o Livro especial de estudo e leitura orante. O Papa Francisco dizia-nos que não haveria de “faltar criatividade para enriquecer o momento com iniciativas que estimulem os crentes a ser instrumentos vivos de transmissão da Palavra”. De facto, ninguém ama o que não conhece e ninguém deve falar do que não sabe, inventando ou supondo que sabe. São Jerónimo afirmava que quem ignora as Escrituras, ignora o poder e a sabedoria de Deus, ignora Cristo.

O nosso Deus é o Deus único e verdadeiro que age na história. Na Sua bondade e sabedoria, foi-Se revelando, gradualmente, ao longo dos tempos e apontando caminhos de salvação. Sempre falou aos homens como amigo. Na Sua pedagogia divina, começou por escolher um povo a quem fez uma promessa. Caminhou com esse povo incutindo-lhe esperança. Foi-o preparando para a vinda do Seu Filho que, despojado de Si próprio, encarnou no seio desse povo. Jesus Cristo é o cumprimento da promessa, é a palavra revelada, é o ápice, o mediador e a plenitude de toda a revelação. Veio “na plenitude do tempo”, “fez-se carne e habitou entre nós” (DV 17). Todos os escritos do Novo Testamento “são testemunho perene e divino destas coisas” (DV 17). Foi o próprio Deus que na sua misericórdia infinita e infinita condescendência se aproximou do homem. Revelou-lhe a Sua vontade “pela plena presença e manifestação de Si mesmo, por palavras e obras, sinais e milagres, e especialmente pela Sua morte e gloriosa ressurreição de entre os mortos…” (DV 4).

O Antigo Testamento, repleto de “coisas imperfeitas e transitórias”, manifesta “a verdadeira pedagogia divina” (DV 15). Nele está “latente o mistério da nossa salvação” (DV 15) que tem o seu cumprimento em Jesus Cristo. Como autor dos dois Testamentos, Deus “dispôs sabiamente, que o Novo estivesse latente no Antigo e o Antigo se tornasse claro no Novo” (DV 16). Ambos são Palavra revelada. O Antigo Testamento prepara, anuncia e simboliza a vinda de Cristo. Na totalidade da Sagrada Escritura e na Tradição oral que vem dos Apóstolos, encontramos essa auto-manifestação de Deus e a Sua ação na história cuja compreensão se vai desenvolvendo pela assistência do Espírito Santo. E Jesus ordenou aos seus discípulos, que, aliás, somos todos nós, a que a anunciassem oportuna e inoportunamente: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Notícia a toda a Humanidade» (Mc 16,15). E para quê? “para que o mundo inteiro, ouvindo, acredite na mensagem da salvação, acreditando espere, e esperando ame» (DV 1). É pela Sagrada Escritura que se percebe a bondade e a santidade de Deus. É a linguagem de Deus escrita de maneira humana, inspirado pelo Espírito Santo.

A fé cristã nasce da Palavra, nasce do coração, nasce da experiência do encontro com Jesus. Uma experiência baseada na vida e no poder de Jesus, no que Ele é, no que Ele disse e fez, na Sua morte e ressurreição. A Sua Palavra e o Seu Poder continuam atuais e atuantes na história e em cada um de nós. A fé, dom de Deus, faz-nos entender as maravilhas de Deus, a Sua misericórdia e quanto Ele nos ama. Depositária dessa fé revelada - Sagrada Escritura e Tradição oral -, a Igreja “coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15), está mandatada a transmiti-la e a fazer com que seja traduzida em atitudes de vida, na praxis do povo de Deus. E deve fazê-lo não como se fosse dona da revelação, mas como garante da sua verdade e fidelidade, sempre melhor interpretada e compreendida pela ação do Espírito Santo e como resposta às perguntas humanas em cada tempo. Assim, a Sagrada Escritura e a Tradição oral, com o Magistério da Igreja atento ao sensus fidei e ao sensus fidelium, são o verdadeiro garante do depósito dinâmico da fé.

A Igreja venera a Sagrada Escritura e coloca-a no mesmo patamar da Eucaristia. Há duas mesas à disposição dos cristãos: a mesa do pão da palavra que é a Sagrada Escritura, e a mesa do pão da vida, a Eucaristia.


Antonino Dias

15-12-2017


Antonino Dias, Bispo Diocesano
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