HOMILIA DA CELEBRAO DE JUBILEUS SACERDOTAIS

S DE CASTELO BRANCO
01 de MAIO de 2012

 
Em primeiro lugar, quero manifestar a minha alegria pela presença de todos vós, sacerdotes, diáconos e fiéis leigos, nesta celebração, em que damos graças a Deus por 25, 50 e 60 anos de fidelidade a Cristo e à Igreja, no sacerdócio, bem como 50 e 25 anos de Consagração religiosa de três Irmãs.
A todos os homenageados apresento os meus parabéns e manifesto a minha gratidão pela sua dedicação e trabalho ao serviço do povo de Deus que nos está confiado. Não podemos deixar de recordar também, todas as pessoas que os ajudaram a ser e a viver o sacerdócio: as suas famílias, os seus professores, amigos e colaboradores. E torno presente, ainda, todas as comunidades por onde cada um deles passou e aquelas onde presentemente se encontram a testemunhar a alegria do Senhor e a anunciá-Lo como o Caminho, a Verdade e a Vida.
Que vos dizer nesta hora, caros homenageados e todos vós, sacerdotes e fiéis leigos aqui presentes? Faço minhas as palavras de S. Paulo aos Colossenses, numa das leituras propostas para este dia de S. José Operário: “acima de tudo, revesti-vos da caridade, que é o vínculo da perfeição. Reine em vossos corações a paz de Cristo, à qual fostes chamados para formar um só corpo. Vivei em acção de graças. Tudo o que fizerdes, por palavras ou por obras, seja tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças, por Ele, a Deus Pai. Qualquer que seja o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como quem serve ao Senhor e não aos homens, certos de que recebereis como recompensa a herança do Senhor. Servi a Cristo que é o Senhor.” (Col 3, 14-15.17.23-24).
Na verdade, só vivendo e agindo assim, o nosso trabalho se revestirá de valor sobrenatural e será fecundo. E para viver e agir assim, a nossa vida tem de se apoiar em três colunas essenciais, como afirma Bento XVI: A Eucaristia, os Sacramentos, em primeiro lugar: tornar possível e presente a Eucaristia e celebrá-la de modo que se torne realmente visível o amor do Senhor por nós. Depois, o anúncio da Palavra em todas as dimensões: do diálogo pessoal à homilia. Em terceiro, tornar presente o amor de Cristo junto de quem sofre, dos pequeninos, das crianças, das pessoas em dificuldade, dos marginalizados. Tornar realmente presente o amor do Bom Pastor e aprofundar a relação pessoal com Cristo é uma prioridade fundamental na pastoral, no nosso trabalho com e para os outros. Para nós, sacerdotes, a oração não pode ser algo marginal e é preciso que rezemos também como representantes do povo que não sabe rezar ou não encontra tempo para o fazer. A oração pessoal, sobretudo a Oração das Horas, é alimento fundamental para todos nós e para toda a nossa ação, frente à qual devemos reconhecer os nossos limites, com humildade, e ter a coragem de parar para formação e descanso. A fidelidade à graça do sacerdócio, a fidelidade a Cristo e à sua Igreja que um dia prometemos, faz-nos perceber as prioridades, as escolhas, ajuda-nos a reencontrar sempre o verdadeiro caminho. (cf. Bento XVI, diálogo com os sacerdotes, Praça de São Pedro, 10 de Junho de 2010). Caminho que não se pode identificar com o cumprimento formal e legalista da lei, esquecendo o Deus vivo, a vida sobrenatural. Isto poderá gerar um certo sentimento de consciência tranquila, mas não só estará errado como levará a uma espiritualidade incapaz de incarnar nas situações concretas e urgentes do dia a dia. Esta postura não nos santificará nem nos deixará falar com “sabedoria e autoridade”. Contribuirá, isso sim, para nos isolar numa espécie de redoma de pretensa bondade que não existe.
Não queria deixar passar este momento sem vos reiterar o pedido, já tantas vezes formulado, da necessária solicitude pastoral na promoção da pastoral vocacional, qual termómetro a medir a temperatura da fé das nossas comunidades paroquiais e familiares. Celebrámos no passado Domingo, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações de especial consagração. A Vigararia Episcopal respetiva apontou algumas iniciativas concretas para as comunidades assumirem durante a semana que precedia o Dia mundial, para além, como é evidente, da criatividade das próprias paróquias. Todos conhecemos o que a Igreja nos pede e como os seus documentos nos responsabilizam no fomentar da cultura vocacional em obediência ao que o Senhor nos disse: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a sua messe”.  
Não podemos deixar de pedir com existência e confiança vocações para a vinha do Senhor. É preciso, diz-nos o Santo Padre, que as comunidades sejam educadas a bater à porta do coração de Deus. É preciso que cada um de nós viva o próprio sacerdócio de forma convincente, com alegria e dedicação feliz. É preciso o contacto pessoal, fazer a proposta de forma clara, fundamentada e acompanhada, criando ambiente de silêncio e de escuta, de forma a que os jovens escutem, interiorizem e respondam. Como sabemos, o serviço vocacional tem de estar presente na pastoral ordinária de cada paróquia e não pode ser visto como algo que se acrescenta, de fora, à programação já feita. “Hoje, mais do que nunca, a expectativa orante de novas vocações deve tornar-se hábito constante e largamente partilhado na comunidade cristã e em toda e qualquer realidade eclesial” (Pdv 38).
A par desta preocupação pastoral, o Sínodo diocesano continua persistentemente a sua marcha. Reconhecemos que há dificuldades mas não podemos deixar de apostar nem de insistir na necessidade de darmos as mãos para caminharmos juntos, em Sínodo. O esforço que agora fizermos será recompensado, no final, com a alegria de nos termos empenhado, de termos participado e levado outros a participar e a aprofundar a fé, ajudando a construir a Igreja que queremos ser.
Caros Padres, continuemos a dar graças a Deus pelo Dom do sacerdócio e aproveitemos estes momentos para reavivar em nós esse Dom, pedindo ao Senhor que nos ajude a caminhar na sua intimidade pois nos chamou para estarmos com Ele, e, estando com Ele, n’Ele, e Ele em nós, nos enviar com sabedoria e autoridade, anunciando, santificando e agindo na caridade.
 

Antonino Dias
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