4 Tema - Formao crist: adultos, adolescentes e jovens, crianas

 

1. Formação cristã permanente
 
A formação é como a respiração, algo que acompanha a vida cristã no seu ritmo ordinário e extraordinário e que realiza a unidade e harmonia com o projecto e pleno de Deus.
 
Falar de formação cristã é, necessariamente, dizer “formação permanente”. É uma acção de Deus porque é Deus que tudo dispõe e concede todos os dons, mas que requer de cada cristão uma disponibilidade livre, inteligente e activa para fazer caminho. Quem não progride não fica em estado neutro, antes começa a regredir. Em Igreja, cristãmente, a formação é um autêntico caminho de fé, uma formação permanente da adesão crente, uma caminhada para a maturidade cristã de vida.
 
Na vida do cristão não existe formação que se possa entender apenas como um período fechado e acabado da vida já que o baptismo é um dom que é necessário cuidar sempre e fazer crescer. Se não respirar significa morrer, não se formar permanentemente significa deformar-se. Sem formação permanente haverá frustração permanente. E, por isso, formação permanente não é um curso, não é uma aula, mas pode supor o curso, a aula e muitos outros instrumentos. Tem, necessariamente, é de ser uma atitude de fundo, um ritmo mais do que apenas uma ordem. No Cristianismo em geral e na Igreja em particular, existem vários ritmos que é necessário assumir com disponibilidade.
 
2. Ritmos de formação cristã
 
O primeiro e mais genérico (não mais abstracto) é o ritmo existencial. A nossa vida, com tudo o que a constitui, é lugar e experiência de formação: não somos só nós que fazemos caminhos, os caminhos também nos fazem e constroem. É verdade que muitas vezes nos sentimos tentados a não estar onde estamos, a aguardar por condições ideais para fazer isto ou aquilo (se eu tivesse ... se eu fosse ... se houvesse aqui ...), mas a verdade é que o choque com a realidade já está a formar-nos. A vida forma-nos sempre que resistimos a fecharmo-nos sobre nós próprios.
 
Neste campo até a nossa vida cristã, dita normal, é contexto de formação: como baptizado estou chamado a dar frutos de cristianismo, então a minha vida como ocasião de serviço, de fraternidade, de crescimento na verdade ... é ocasião de formação. É por isso que a chamada “vida comum” é uma esplêndida escola de formação cristã permanente.
 
Um segundo ritmo de formação podemos encontrá-lo no ritmo diário: levantar-se (e os sentimentos com que nos levantamos), rezar, trabalhar, ser voluntário, relacionar-se nos locais de trabalho e/ou diversão, a família (mulher, filhos, agregado familiar), o regresso a casa, os momentos celebrativos, a revisão de vida e acção de graças ao deitar etc, são formação permanente. Quais os momentos fortes de um dia normal na vida de um cristão?
 
Um terceiro ritmo de formação cristã podemos defini-lo como o ritmo semanal. Porquê?! Pode ser por muitos motivos, a reunião da Paróquia, de formação temática, do Movimento, a Catequese, os tempos livres dos filhos, mas, sobretudo, porque a Igreja tem ela própria um ritmo semanal na celebração da Páscoa, o Domingo. Partir do encontro com a Palavra, com o Perdão e com a Eucaristia para enfrentar cada semana e ser capaz de trazer à Eucaristia do Domingo a semana vencida e vivida dá ao dia a dia uma finalidade e um ritmo próprios. O Dia do Senhor, como é costume dizer-se, é o Senhor dos Dias.
 
Um quarto ritmo podemos defini-lo como o ritmo mensal. Congregando tudo o que são vivências e experiências, ritmos diários e semanais, o ritmo mensal pode trazer à vida de um cristão a oportunidade da revisão de vida, da reflexão sobre as opções, da reconciliação sacramental. Quem não se avalia também não progride e acaba por correr o risco de regressar vezes sem conta aos mesmos erros.
 
E, finalmente mas não por último, um quinto ritmo que é o ritmo anual. O ritmo anual contém, evidentemente, todos os outros ritmos, mas aporta novas possibilidades a cada cristão: em primeiro lugar a possibilidade de participar num retiro, num congresso, num simpósio enquanto tempo mais longo de reflexão; em segundo lugar porque um ano desafia a uma caminhada e a Igreja, na sua sabedoria secular, ajuda-nos todos os anos a percorrer pedagogicamente a totalidade do mistério de Cristo: o ritmo do Advento que deseja e espera o encontro com Jesus, o ritmo do Natal que celebra o encontro e o desejo satisfeito, o ritmo da quaresma que sublinha o desejo de se configurar a Cristo na sua morte, o ritmo da Páscoa que se experimenta como ocasião de configuração a Cristo na vitória sobre todas as mortes, o ritmo do Pentecostes como desejo de anúncio do Evangelho e o ritmos de todas as festas de Cristo, de Nossa Senhora, dos Santos que nos mostram a riqueza da vida de Deus quando vivida pela humanidade.
 
3. Formação cristã específica
 
No plano mais objectivo da formação cristã existe, depois, a necessidade de proporcionar, pedagogicamente, formação específica (conteúdos, formas, meios) a todos os cristãos: crianças, adolescentes e jovens, adultos. A grande limitação desta formação é que, normalmente, feita a chamada catequese obrigatória “para ter as comunhões todas”, cada cristão dá como suposta e acabada a sua formação. E o perigo é de deixar de cuidar do dom do baptismo. Não são alheios a este facto os imensos conflitos que se experimentam em muitas comunidades cristãs. Alguém andou na Catequese até ao 10º ano, fez o Crisma e deixou os enquadramentos da Igreja. Quando, mais tarde, deseja alguma coisa da Igreja vai fazê-lo em registo de “direitos e deveres” e não de “capacidade e sentido”. E, por isso, não dá conta de que há pedidos e perguntas que não se fazem: “Padre, os meus compadres não são baptizados mas foi a eles que escolhi para serem padrinhos de baptismo do meu filho; e não diga que não porque o meu filho não aceita mais ninguém”. E saem, neste caso que serve de exemplo, os Sacramentos tratados como algo de que cada um dispõe a seu prazer e conveniência sem caminho feito, sem fé e sem desafio para fazer ao jeito de quem compra um boneco de peluche a uma criança para a calar da última birra. E sai o Sacramento desencarnado e descontextualizado da vida como quem toma uma aspirina para uma dor de cabeça que se deseja nunca mais apareça, a não ser em situação extrema.
 
As Crianças têm uma forma própria de viver a fé e têm uma sensibilidade própria para Deus. Os adolescentes e jovens têm outra e têm outras exigências. E os adultos, necessariamente, outra. O grande desafio que é feito à Igreja é o de adaptar os meios e os instrumentos às inquietações e aberturas de sentido de cada destinatário da mensagem evangélica.
 
Questões de reflexão:
 
1.      A espiritualidade dos cristãos (leigos, religiosos, presbíteros) é a vivência da sua identidade própria. O que resultará de uma tentativa de espiritualidade sem definição e aprofundamento da identidade? Que relação estabelecer entre “formas e fórmulas” e “conteúdos e sentido de vida”?
2.      Porque desaparecem os adultos jovens, entre os 25 e 45 anos, da Igreja e continuam a pedir o baptismo dos filhos?
3.      Para lá de organismos, movimentos, paróquias, de que têm sede hoje as pessoas que procuram Deus nas suas vidas?
4.      Que actividades propor a jovens para ser possível falar-lhes de Deus?
5.      Como pode a Igreja adequar a sua oferta de formação permanente também aos adultos?
6.      Elabore um conjunto de propostas sobre pedagogias para a fé cristã.

 

 

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