3 Tema - Estruturas de participao (Diocese, Parquias, Movimentos e Novas realidades eclesiais)

 

A Igreja é Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito. Mas não é uma anomia nem uma anarquia. É um Povo orgânico reunido na fé. A Luz do Povos é Cristo mas a Igreja é seu sinal e sacramento. E para poder agilizar a sua sacramentalidade, a Igreja tem ministérios, estruturas de participação, meios de vida diversos onde o que acaba por sobressair é a comunhão na diversidade da riqueza de caminhos e carismas.
 
Contudo, também aqui, quem nos vê de fora não é capaz de dizer o que nos vai dentro. A afirmação tão perniciosa quanto difundida na nossa sociedade de que “Cristo sim, Igreja não” é sinal disso mesmo. Os que somos, nos sentimos e vivemos como Igreja, que fazemos formação, que crescemos como Igreja, que temos uma história conjunta de participação, vemos a Igreja a partir de dentro e definimo-la de uma forma: é mistério de comunhão, é Corpo de Cristo. Os que a vêem apenas de fora vão defini-la com outras cores e, muitas vezes, caracterizam-na apenas como estrutura, forma de poder e influência, etc.
 
Lembremo-nos, por exemplo, de um catecúmeno que, contava ele, quando entrou pela primeira vez numa Igreja, não compreendia porque é que as pessoas se levantavam todas num determinado momento e se sentavam noutro. Todas essas atitudes lhe escapavam completamente. E, por isso, ao sair concluiu para com aquele que o acompanhava: “Eu não faço parte disto”!
 
É importante percebermos que a forma como a própria Igreja se dá a ver e a perceber aos outros (particularmente aos que não são cristãos) faz parte fundamental da sua missão de sinal da vida de Jesus Cristo. Dito de outra forma significa que a organização da Igreja deve reflectir o conteúdo da fé, mesmo se e quando apresentada de forma diferente da de outras épocas. Há formas e sinais que fazem, continuam a fazer sentido. E há formas e sinais que não fazem sentido. O que faz sentido num momento pode até não o fazer em outro momento.
 
Se pensarmos na forma como a nossa Igreja se mostra e se dá a ver, é evidente que a primeira coisa que as pessoas vêem é a estrutura exterior: o Papa, os Bispos, a Conferência Episcopal, os Padres (uns assim, outros de outra forma, com ideias diferentes e a gostarem de as dizer), as Paróquias, um Padre por Paróquia, um Bispo por Diocese, um Arcebispo para dez ou vinte Bispos, contas, etc. Mas isso é apenas uma perspectiva parcelar, imagem muito limitada, do que é a Igreja. Todas as coisas têm o lado de dentro e o lado de fora.
 
É claro que, quando comparamos o que vivemos agora com a época da fundação das primeiras comunidades cristãs, damos conta de que estamos diante de outro universo cultural completamente diferente.
 
Mas esse universo cultural do contexto inicial da Igreja teve aspectos substancialmente positivos e estruturantes da própria Igreja. Olhemos, por exemplo, para o ambiente da Sinagoga com o seu responsável, o archi-synagogos de que nos fala S. Lucas, o mínimo de dez anciãos. É o sistema que o próprio S. Paulo adopta para estruturar e organizar as comunidades cristãs. Na Sinagoga fala-se, discute-se. E isso é de tal forma verdade que, quando Jesus entra numa Sinagoga, Lhe passam “o Livro” para que leia, reflicta e comente. E quando Paulo chega a Antioquia da Pisídia alguém lhe pergunta: “Irmão, tens alguma coisa a dizer?”!
 
A cultura do diálogo, do aprofundamento comum de ideias, de debate, da troca de palavras como expressão e sinal de fraternidade e comunhão é dos patrimónios mais autênticos e originais da Igreja e do Cristianismo. E a Carta aos Efésios, o interessante mundo grego, manifesta-nos como os “cidadãos” tinham a possibilidade de debater, comentar e participar na coisa pública. Talvez por esse motivo Paulo em outra ocasião defenda com tanta energia o seu título de cidadão romano, ou seja o seu direito de falar e de não ser tratado com indiferença. E é a mesma Carta aos Efésios que contém um elemento fundamental: Paulo dirige-se aos Efésios e diz-lhes que outrora eles eram estrangeiros (tinham direito de residência mas não de participação nas decisões) mas agora são cidadãos e, sobretudo, concidadãos dos Céus. E quando Paulo explica aos Coríntios que tudo é para eles e eles são para Cristo, Paulo toma partido contra todo o género do que se poderia chamar clientelismo que reinava em Corinto e que era precisamente a negação do direito de cidadão. Paulo empenha-se em fazer entender o “estatuto” de corpo, um estatuto onde, apesar das diferenças, todos têm lugar e se podem dizer.
 
A forma como a Igreja se exprime acerca de si mesma, nas suas estruturas, meios e instrumentos, é hoje fundamental. E é muito importante que, nas nossas maneiras de viver em Igreja, estejamos em lógica, em conformidade, em fidelidade, com o Deus de Quem falamos e que anunciamos. Dizemos na Eucaristia “Não olheis para os nossos pecados mas para a fé da vossa Igreja” e temos de, permanentemente, acolher a Igreja como Mãe na Fé e na caminhada cristã.
 
Se partíssemos de todo o Novo Testamento concluiríamos três grandes notas da Igreja nascente: são comunidades que nascem da fé e do anúncio da Palavra; são comunidades que vivem em comunhão autêntica; são comunidades que celebram e se congregam na Eucaristia.
 
É para tornar a comunhão operativa que, desde o princípio e sempre renovando-se, a Igreja criou estruturas que mais não são do que instrumentos ao serviço da fé em Jesus Cristo. A Diocese ou Igreja local não é, neste sentido, uma simples estrutura. Ela é, com seu Bispo unido ao Colégio dos Bispos sob a presidência do Bispo de Roma, a experiência objectiva e prática da Igreja. Os Apóstolos, chamados e enviados por Cristo, chamaram, formaram, impuseram as mãos e enviaram outros discípulos (bispos, diríamos já assim) que, em cada cidade, agregaram a si cooperadores e colaboradores na confissão da fé, no anúncio da Palavra e na celebração. A Igreja de cada local não é uma parte (parcela) de Igreja mas é sim uma porção da Igreja universal. Nesse “local”, Igreja local, experimenta-se a Igreja em toda a sua totalidade e profundidade.
 
As Dioceses trouxeram depois à luz do dia as necessárias estruturas de participação. Hoje conhecemos imensas. A nossa Diocese, objectivamente, congrega uma quantidade imensa de Secretariados, de Conselhos, de Organismos que pretendem ser uma ajuda na transmissão e anúncio da fé em Jesus Cristo. E as Paróquias e Movimentos, mesmo com as dificuldades próprias de aplicação concreta no terreno, corporizam mais umas quantas estruturas (Conselhos Pastorais, Conselhos Económicos, Departamentos de Liturgia, Departamentos de Catequese e Formação, etc, etc). Todas as estruturas existem para agilizar e facilitar o trabalho prioritário da Igreja que é o de ser sinal e fermento de Cristo.
 
Questões de reflexão:
 
1.      A globalização, a criatividade nas artes e ciências, o desejo de participação nas decisões, o desenvolvimento, a emergência do pluralismo, a rapidez e performance das comunicações, as novas formas de relação interpessoais, a procura de espiritualidade, a ecologia são tudo expressões de uma mutação cultural que interpela fortemente a Igreja. Que possibilidades e desafios de diálogo existem? Como?
2.      A hospitalidade como abertura à vida, o reconhecimento dos sinais do Evangelho nas vidas alheias, a descoberta constante da Palavra de Deus, a intervenção comprometida e assumida na causa comum, a importância da comunicação, a inculturação do Evangelho são algumas das condições para o anúncio do Evangelho ao mundo de hoje. Que caminhos concretos e objectivos é necessário empreender e valorizar ao nível da Diocese, das Paróquias e dos Movimentos?
3.      As estruturas actuais facilitam ou dificultam a acção e vida da Igreja? Existem alternativas credíveis e viáveis? Qual o lugar da responsabilidade pessoal dos líderes no perfil das estruturas de serviço?
4.      Somos uma Igreja rica em departamentos, estruturas e movimentos mas dispersa, ou uma Igreja pobre em departamentos, estruturas e movimentos mas em comunhão?
 
5.      Elabore um conjunto de propostas que dinamize a articulação comunional de todas as estruturas da Igreja.

 

 

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