2 Tema - O mesmo Jesus Cristo e nova evangelizao

 

Será o homem capaz de conhecer Deus? Como? Em que medida? Uma interrogação e crise desta dimensão não se poderá ultrapassar senão na medida em que se re-descobrir a intervenção de Deus em Jesus Cristo (revelação na carne, no gesto e na linguagem de Jesus Cristo que é carne, gesto e linguagem dos homens).
 
O homem a quem Deus Se revela é também ele um homem concreto, com uma história concreta e a viver numa história determinada. A história, aliás, é o horizonte de interpretação de toda a revelação de Deus.
 
Jesus Cristo ocupa, pois, uma posição única no horizonte da revelação que faz distinguir o Cristianismo de todas as outras religiões. É a única religião onde a revelação se incarna numa pessoa que se apresenta como a verdade viva e absoluta. E a Pessoa de Jesus Cristo, em Quem Deus encarna, recolhe e unifica em si todos os aspectos que ao longo da história do pensamento foram sendo requeridos na reflexão para que uma verdade se pudesse afirmar como tal e assim também pudesse ser reconhecida: transcendência da verdade (correntes platónicas); historicidade da verdade (pensamento moderno e contemporâneo); interioridade da verdade (trazida à luz pelas diversas formas de existencialismo). Jesus Cristo transcende-nos em Palavras e gestos, viveu historicamente como homem concreto, revelou uma verdade e um sentido novo para a vida de todos os homens e de todos os tempos.
 
Jesus Cristo não é, portanto, apenas um simples fundador de uma religião. Ele é, por um lado, imanente à história dos homens (está dentro dela e vive-a) e, por outro, transcende-a absolutamente [supera-a e está para além dela (mistério da Santíssima Trindade)].
 
Entra então em cena aquilo que denominamos mistério. O mistério, segundo o conceito paulino, é o desígnio de Deus que se vai revelando progressivamente...mas que nunca deixa de ser mistério (aquilo que revela é precisamente o seu ser mistério, o seu ser “obscuro”, não totalmente claro, não totalmente cognoscível ao homem...). Jesus Cristo será então a revelação de Deus, o mistério que estava “em segredo desde os séculos...” (Rom 16, 25-27) e que, progressivamente, foi sendo revelado por Deus.
 
Como Sto Agostinho deixou entrever num dos seus comentários ao Evangelho de João (Sermão 55, 1) o mistério de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, é o de levar o homem a passar para aquilo que não passa, passar (ultrapassar) do mundo para não passar com o mundo e, portanto, passar constantemente para Deus.
 
E, de facto, se virmos à nossa volta e bem dentro de nós, tudo passa e tudo o que passa acaba por não ter capacidade para ser a finalidade da vida do homem criado à imagem e semelhança de Deus. Passam o pecado, a vaidade, o orgulho, a inveja … tudo. Passam porque nunca preenchem nem dão segurança absoluta. Passam porque não permanecem. Passam porque estão, muitas vezes, dependentes de estados anímicos e/ou emotivos.
 
Mas, para lá de tudo o que passa e não dá segurança, há Alguém que não passa: Deus, o Amor de Deus. Jesus não Se resumiu ao mundo e o seu chamamento é a que nós também não nos resumamos ao mundo. A história e os tempos mudam, mas Jesus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Então o desafio é que, pressupondo a mudança da história, sejamos capazes de referenciar cada momento e cada tempo a Jesus Cristo, o Único que permanece (a Cruz permanece, enquanto o mundo passa, têm como lema os Monges da Cartuxa).
 
E, sendo assim, que sentido tem hoje falar de evangelização ou, mais do que isso, de nova evangelização? Evangelizar, para a Igreja - como afirma o nº 18 da Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi do Papa Paulo VI - é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade.
 
Como não haverá humanidade nova sem haver homens novos, a finalidade da evangelização é precisamente esta mudança interior.
 
É este processo que hoje necessita fazer-se novo. As nossas sociedades e os contextos concretos onde vivemos alteraram-se muitíssimo nos últimos anos. Pluralismo de ideias e experiências, secularização e secularismo, ateísmo e agnosticismo, formas redutoras de vivência cristã da fé, privatização das vivências de fé, dimensão moral da vida alicerçada sobre o subjectivismo são verdadeiros desafios à fé e ao testemunho do Cristianismo.
 
A pretensão moderna e pós-moderna do pluralismo ético e religioso que se impõe como a grande norma moral intransponível e insuperável acaba por não trazer à humanidade grandes ideais. Quer se trate da economia, quer se trate da política ou mesmo das incertezas tecnológicas e ambientais, a situação convulsiva do mundo em que vivemos torna-se cada vez mais preocupante e angustiante deixando as nossas mentalidades técnicas e éticas sufocadas e incapazes de dar respostas credíveis.
 
Talvez por tudo isto o conceito de “nova evangelização” seja difícil de definir. Porque não se trata apenas de fazer o que sempre se fez com as formas que sempre se utilizaram. É que não se trata apenas de uma re-evangelização. Trata-se sim de uma nova evangelização, tendo sempre como modelo o estilo de Jesus e de Paulo.
 
A transmissão da fé já não se faz apenas por determinadas práticas e obrigações. A nova evangelização é o convite a lembrar que a grande opção do Cristianismo e da fé é a opção pelo sentido, pela racionalidade. A cidade dos homens, onde vive a comunidade cristã, é uma realidade que obriga a pensar e a reflectir, que exige sentido do discurso e das práticas. É, sobretudo, uma cidade que já não dá a fé cristã como óbvia e que, muitas vezes por esse mesmo motivo, subjectiviza as questões.
 
A nova evangelização exige então um novo ardor, novos métodos e novas linguagens. A Igreja foi criada por Jesus de Nazaré para que fosse a continuação viva da sua vida e presença no mundo e nunca faltou a esse dever. Nasceu com essa missão e, se deixasse de a realizar, faltaria à sua missão essencial. No meio de um mundo como o que conhecemos (estamos à beira de uma nova era que, no entanto, nos parece altamente incerta e meio obscura), até pelo caminho que já foi realizado, o papel dos católicos torna-se ainda mais significativo. Fomos chamados e enviados para sermos sal e luz, para dar sabor à vida e iluminar todos os que procuram um significado e sentido para as suas vidas. Somos mesmo chamados a edificar e anunciar um novo humanismo no qual a paixão pela verdade se torne força de construção e de transmissão da fé. Trata-se de dar razões da nossa esperança (1 Pe 3, 15).
 
Questões de reflexão:
 
1.      Há uns anos atrás era comum falar-se da “hora dos leigos” quase em contraposição à “hora da instituição eclesial ministerial”. Onde nos levou esse caminho de contraposição em vez de um caminho de conjugação e comunhão? Um Ministro ordenado faz um percurso de aprendizagem e preparação mais ou menos longo para poder exercer um ministério. E os leigos? Que formação, que aprendizagem, que percurso lhes é pedido para poderem testemunhar a fé, resistindo às questões e interrogações do sentido da vida no mundo de hoje?
2.      A Igreja perde a força missionária quando se encerra em si mesma. Comunidades agressivas dentro de si e consigo mesmas não ousam voltar-se para fora, anunciar e acolher. Que notas reconhecemos nas nossas Comunidades de que possamos estar a viver para dentro? E que notas e sinais nos evidenciam o contrário?
3.      O que pode significar, no contexto da nossa Diocese, falar do Jesus Cristo de sempre com novo ardor, novas linguagens e novos métodos?
4.      Será possível conjugar “religiosidade popular” com “nova evangelização”? Sim, é, não existe contradição! Que caminhos é preciso percorrer?
5.      Elabore um conjunto de propostas que ajude os Cristãos a conhecer melhor a Pessoa e Mistério de Cristo.

 

 

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